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Há uns tempos atrás encontrei uma amiga de infância. Aquela amiga que conheço desde o infantário e que partilhou comigo as brincadeiras, aventuras, sonhos e carteira de escola.

Já não a via há alguns anos e o tema de conversa foi inevitavelmente esses bons tempos.

– “sabes o que mais em ficou na memória estes anos todos?” perguntou.

– “Aquele nossa ideia de sermos professoras de ballet e morar no Brasil?” tentei adivinhar.

– “Não! O teu casaco amarelo!”

Confesso que me surpreendeu, porque nem eu me lembrava do casaco que ela me descreveu ao pormenor. Mas porque é que o casaco lhe deixou uma memória tão vincada? Ela explicou que ninguém usava roupa amarela, só eu, era impossível ficar indiferente. Não era um simples casaquinho de malha ou uma tshirts, não… Era um casaco de inverno, bem volumoso e MUITO amarelo. Admirava a minha coragem de andar com um casaco assim. Nunca me disse isso quando éramos pequenas e ainda bem. Se calhar se dissesse naquela altura, eu pensaria duas vezes se deveria vestir tanto amarelo. Nunca estranhei alguns amigos chamarem-me carinhosamente de “Canarinho”. A verdade é que nunca deixei de gostar do amarelo e até hoje continuo a usar.

As cores tem esse poder, todas elas. Fazem ligações, ajudam a criar memórias. Umas criam sensações de calma como o azul ou o branco, outras podem ter significados antagónicos como Raiva ou Amor, como é o caso do vermelho.

O coitado do amarelo sempre foi discriminado. Claro que eu não pensava nisso na altura, para mim era uma cor como outra qualquer. Gostava e ponto. O amarelo dá energia, transmite alegria e otimismo. Como não gostar?

Quando se trabalha a comunicação visual de um produto temos de ter em conta o que queremos transmitir. Conhecer a importância das cores na comunicação de um produto é essencial. Quando era criança não tinha consciência do impacto que o meu casaco amarelo ia ter na memória de infância da minha amiga, mas hoje em dia, na escolha de cores que uso tenho bem presente o impacto que elas podem causar nos potenciais clientes.

A  cor que decides usar ajuda a comunicar a ideia que queres passar. Já imaginaste entrar num gabinete para uma massagem relaxante e todas as paredes  estarem pintadas de laranja néon? Já me aconteceu e como deves imaginar não saí de lá relaxada…

Agora, adivinha a cor da máquina de café que recebi de prenda no último natal?

Ou a primeira cor que me surgiu na cabeça quando estava a criar o meu logotipo?  Amarelo, pois claro. Não podia ser de outra forma.

Sim, no logotipo uso outra cor… o azul (muito) escuro …que também tem uma origem, desta vez na minha fase de adolescência, mas essa história fica para uma próxima 😉